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  • Leila de Oliveira

Ainda Sobre Felicidade

Muitos livros, filosofias, músicas e odes depois, ainda hoje tentamos decifrar a felicidade. Estudos apontam países onde o índice de felicidade seria mais elevado mas, se nos mudarmos para lá, talvez pela cultura, pelo clima ou por motivos outros, não seriamos mais felizes.

Seria então um estado interno que, ao nascer, por default, estaríamos mais propensos? Anos como psicóloga e estudos na área trouxeram uma luz a esse assunto que agora divido com vocês.

Vejamos esse exemplo:

Rapaz jovem, saudável, alegre, sociável, sofre um acidente e fica tetraplégico. Em um primeiro momento, está arrasado, sentindo que a vida lhe tirou o melhor e que não há perspectivas para o futuro.

Mudamos o cenário:

Homem na faixa dos 40 anos, saudável, trabalhando duro para sustentar a família, humor instável e irritadiço, ganha sozinho em megasena acumulada. Em um primeiro momento, alegria esfuziante, pede demissão do emprego, a vida é uma maravilha e começa a elaborar planos para o futuro.


Corta a cena e avançamos dois anos.


Encontramos o rapaz jovem já acostumado à sua nova rotina, aceitando suas limitações mas encontrando meios e participando ativamente com estudos e adaptação e até trabalhando remotamente. A vida social e amorosa foi retomada e ele está feliz dentro de sua nova vida.

Já o homem que ganhou na loteria, tem uma vida confortável, proporcionada pelo prêmio, mas isso agora não é algo que mantenha sua felicidade. Ele voltou ao padrão de irritação e instabilidade emocional ao mesmo patamar de quando era um assalariado.


Podemos concluir que fatos externos, no caso acidente e loteria, a principio, são fatores que influenciam como sentimos felicidade. Digo sentimos, porque ela é um sentimento e está totalmente enraizada em quem somos e com nossa visão de mundo. Ela não depende unicamente de fatos externos mas de recursos internos, que alguns já vem por default e outros precisam aprender a eliciar.


Existem caminhos para trazer esse sentimento mais presente, como através do cuidado com o corpo físico, exercícios, passeios junto à natureza. A parte mental também colabora com exercícios de meditação, experiências sensoriais como música, exposições, viagens. Estar em paz e harmonia com a parte espiritual, de qualquer forma que você a conceba, ajuda.

Mas tudo isso só é permeável por felicidade se você direcionar esses movimentos em direção ao bem estar físico, mental, psíquico ou espiritual quando estiver totalmente presente em quem você realmente é, o que traz satisfação, alegria e isso tem, necessariamente, que passar pelo autoconhecimento.


Uma pergunta que sempre faço aos pacientes é se eles conversam com eles mesmos. A maioria diz que nunca conversa consigo, que não tem tempo para pensar sobre si! E se você não se conhece no sentido de saber diferenciar claramente o que te faz feliz, ou o que você detesta e as inúmeras concessões que temos que fazer entre esses dois polos, então será sempre refém de eventos de felicidade externos.

O equilíbrio entre o conhecimento que temos sobre nós e as concessões que temos, sim, que fazer ao longo da vida é que vai permear nossa felicidade.

E quem tem isso por default como mencionado acima? São pessoas que olham e sentem o mundo com gratidão. E sentir gratidão, a verdadeira, como sentimento pleno, é passaporte para a felicidade.

Não existe fórmula, a terapia mostra o caminho mas o trabalho é interno. Cada pessoa é única e só a ela cabe decidir e trilhar o caminho mais feliz.

Não é nenhuma novidade. Na entrada do Templo de Delfos, construído em honra a Apolo, está escrito “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.”


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